• Pablo Almeida

Brasil: Um país que não possui a cultura de seguros | Coluna Pablo Almeida

Pablo é formado em Administração pela Universidade Mackenzie Rio.


Segundo o dicionário, tranquilidade é o estado do que é ou está tranquilo, isento de agitações, de inquietações, de perturbações ou de alvoroço.


Seria utópico admitir a existência de tranquilidade plena nos dias atuais, é claro. No entanto, seria possível minimizar os inconvenientes do dia a dia?


Imagine a possibilidade de situações que podem nos acontecer ao longo de apenas um dia. Há muitas variáveis. Um problema de saúde, um acidente de trânsito, a perda do emprego e até mesmo a perda de um ente querido.

Foto: Reprodução

Fato é que não há como fugir de situações desagradáveis que a vida nos traz, mas temos instrumentos para nos proteger e minimizar perdas.


O Brasil não possui cultura de seguros por motivos óbvios. A memória da super inflação ainda é latente em muitas gerações. Tempos passados, por exemplo, onde se arraigou na cultura do povo a compra imediata de bens de consumo.


Pergunte a alguém de outra geração como era ir ao supermercado nos anos 80. Era necessário gastar e estocar imediatamente, e, portanto não havia motivos para poupança e muito menos para apólices de seguro de vida. A propósito, o seguro de vida na época era ter alimento em casa e não uma apólice para um futuro distante. Não sabíamos nem qual seria nossa moeda no próximo mês.


A grande questão é: Como então se programar para o futuro?


Não havia condições. O futuro era hoje!


Felizmente os tempos mudaram. A inflação foi controlada, a moeda se estabilizou, mas o preço pago foi alto. Ainda não deu tempo de criarmos a cultura de proteção para o futuro, como há em países mais desenvolvidos e já bem mais maduros que o nosso; onde uma pessoa praticamente já nasce com uma apólice de seguro de vida e onde o seguro de automóvel obrigatório já vem com uma cobertura para terceiros em razão de acidentes. Pois é.


A função de uma apólice de seguro é justamente transferir o risco, seja ele qual for de sua responsabilidade para a seguradora, mediante a pagamento de prêmio. Seria, digamos, o preço da tranquilidade para você e sua família.


O seguro tem um papel social importante, mantendo o poder de viver dignamente no caso de seguros de vida, obter bom atendimento médico em caso de problemas de saúde, além de não se preocupar com o carro roubado. Lembremos, como exemplo, do desespero de pessoas que sofrem ou sofreram algum dano e descobrem na hora que não estão amparadas pelo Estado. Não seria o caso de fazermos a nossa parte e fazer nosso próprio destino mais seguro?


Antes de finalizarmos, gostaria de citar um parágrafo do grande Antonio Penteado, em sua coluna no Estadão.


“Os pilares que fazem o seguro ser a mais eficiente ferramenta de proteção social desenvolvida pelo ser humano são o que há de mais nobre e inspirador em qualquer tratado de ética social. São princípios que, ao garantirem o patrimônio e a capacidade de atuação da sociedade dão dignidade ao individuo que é, em ultima análise, o destinatário da proteção.”


(Antonio Penteado Mendonça, Estadão, em 22/08/2016)


Agora me diga caro leitor. Se algo acontecesse neste momento com você e/ou sua família, você se considera vulnerável ou protegido? Reflita.


As opiniões contidas nos textos dos colunistas não refletem necessariamente a opinião da Gazeta Conectada.

Colunas da Gazeta Conectada

PUBLICIDADE

Stories Restaurante de Sushi - Propaganda.png